Presença de ácido no topo do silo reduz perdas

No último encontro que nós tivemos por aqui foi discutido sobre a importância de nós produzirmos uma silagem com características únicas entre o topo e o centro do silo. Isso foi ressaltado porque a região periférica dos silos, representada pelo topo e pelas laterais superiores, de modo geral, apresenta algumas diferenças quando comparada à região central do silo, tais como: I) A densidade (kg forragem/m3) é inferior e II) A quantidade de oxigênio proveniente do ambiente que penetra na massa é maior. Essas particularidades fazem com que o topo apresente perfil de fermentação diferente, pois muitos microrganismos necessitam dessas condições para sobreviver e também é a região que mais sofre perdas, principalmente aquelas relacionadas à deterioração aeróbia, a qual é caracterizada pelo intenso desenvolvimento de fungos.

Várias ações de manejo, as quais são essenciais, podem evitar/reduzir essas perdas, conforme foi ressaltado no artigo anterior (clique aqui para ler). Uma delas, porém a de custo mais alto em relação às demais, é aplicar um aditivo diretamente no topo do silo com o objetivo de atacar o problema onde ele realmente existe. Ou seja, se o alvo é a região periférica não faz sentido tratar toda a massa de silagem.

Desse modo, um estudo foi realizado no Departamento de Zootecnia de UFLA para testar o efeito da presença de alguns aditivos na periferia da massa de silagem sobre as perdas durante a estocagem e desabastecimento de silagem de milho estocada em trincheira. O centro do silo foi considerado o nosso ‘controle positivo’, pois é uma região que apresenta o melhor perfil de fermentação e ainda é menos afetada pelo processo de deterioração. O topo do silo sem nenhum aditivo foi considerado o nosso ‘controle negativo’. E o benzoato de sódio diluído em água e aplicado numa taxa de 2 kg por tonelada numa camada periférica de 30 cm foi o ácido testado.

A Figura 1 representada pelo gráfico denominado ‘A’ mostra as perdas e aquele denominado ‘B’ evidencia a digestibilidade das silagens nas diversas partes do silo. Percebam que as perdas no centro do silo são consideradas normais e de baixa escala. Seguindo a mesma tendência foram as perdas apresentadas pelo topo que tinha benzoato de sódio; contudo, onde não havia nenhum aditivo as perdas foram elevadas, ou seja, na prática é silagem que deixa de fazer parte da dieta dos animais.

A digestibilidade das silagens seguiu o mesmo comportamento das perdas. Silagens com maior aproveitamento por parte dos animais foram encontradas no centro do silo (como era esperado) e onde havia o ácido. As silagens que se encontravam no topo e sem aditivo pelo fato de apresentarem maiores perdas foram menos digestíveis.

Figura 1. Perdas e digestibilidade da silagem de milho em diversas partes do silo trincheira.

É importante enfatizar que em tempos de pressão econômica devido à alta dos preços do milho e de seus insumos é crucial que o máximo de nutrientes seja preservado. Este é o primeiro estudo que mostra a importância da aplicação estratégica de aditivos, além de ressaltar o poder que o benzoato de sódio tem de evitar perdas e preservar nutrientes em condições de campo.

Todos os resultados desta pesquisa podem ser encontrados no seguinte artigo: Da Silva, N.C., Dos Santos, J.P., Àvila, C.L.S., Evangelista, A.R., Casagrande, D.R., Bernardes, T.F. Evaluation of the effects of two Lactobacillus buchneri strains and sodium benzoate on the characteristics of corn silage in a hot-climate environment. Grassland Science. 2014.

O autor desse conteúdo
Thiago Fernandes Bernardes    Lavras – Minas GeraisProfessor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) – MG. www.tfbernardes.com

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Thiago Fernandes Bernardes    Lavras – Minas Gerais

Professor do Departamento de Zootecnia da Universidade Federal de Lavras (UFLA) – MG. www.tfbernardes.com

Fonte: Farmpoint

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